Você já enviou cartões de Natal esse ano?

Ninguém que passou por essas bandas marcou tanto a história quanto Jesus de Nazaré, você pode ser cristão ou não, mas há de concordar. Em Seu nome travaram-se guerras, fez-se a paz. Até hoje bilhões de pessoas vão aos templos em Sua homenagem. A história, por exemplo, divide a contagem dos anos em conformidade com a data de Seu nascimento. Aliás, o Seu aniversário é provavelmente o mais comemorado de todos: o dia 25 de dezembro, ou simplesmente “Natal” é simbolicamente considerado pelos cristãos a data de nascimento do “Filho de Deus”.

 O Natal é para mim, e creio que para a maioria dos brasileiros, uma fábrica de memórias. Não há como negar: todos sabemos de costumes e “tradições” de Natal, sendo alguns que se propagaram ao longo dos séculos e chegaram até nossos dias. Pra mim, não importa se alguma tradição seja construção de um canal de televisão, como o “Especial Roberto Carlos”, ou de uma marca de refrigerante, como a associação da imagem de São Nicolau ao Papai Noel.

Pausa pra observação legal, mas inútil ao desenrolar do texto: relatos dizem que São Nicolau já era amado pelas crianças carentes de Myra, cidade que hoje fica na Turquia, vale a pena pesquisar sua linda história de desprendimento de bens materiais.

Voltando: Cada costume e tradição traz consigo muitas lembranças e faz deste período o que talvez seja o mais mágico para as crianças do mundo cristão. Já fui mais de curtir o Natal, mas de fato, eu também acho muito legal essa época do ano.

Uma tradição que a tecnologia e as redes sociais praticamente extinguiram, foi a troca de cartões de Natal. A ineficiência dos Correios no Brasil, a perda do costume de escrever cartas aos amigos e a mudança da forma com que as pessoas relacionam, após a revolução instituída pelas redes sociais. Vários fatores que quase acabaram com essa tradição, hoje mantida por algumas empresas que desejam ter algum relacionamento pessoal com seus clientes.

 Se os tradicionais cartões de Natal estão acabando por conta das mudanças de relacionamento e tecnologia, é interessante notar que surgiram no Século XIX pelo mesmo motivo. Quando em 1845, Sir Henry Cole percebeu que não teria tempo de preparar felicitações manuscritas, e encomendou uma pintura a John Calcott Horsley. O pintor desenhou uma família à mesa farta, um rico dando comida a crianças pobres e escreveu “Feliz Natal e Próspero Ano Novo”. Cole fez mil cópias e distribuiu aos amigos, um ano depois a região toda reproduzia a ideia.

Criança ainda em São Bernardo do Campo, lembro-me de chegar em casa correndo para verificar se havia chegado alguma carta, hoje fujo da caixa de correio, por lá só chegam faturas e contas. Tenho a infantil impressão que era justamente à época do Natal a mais movimentada da nossa caixa, chegavam cartões que pendurava com minha mãe em nossa árvore. Era um cartão mais lindo que o outro, eu gostava de comparar aos que encontrava nas casas dos meus primos.

Conto isso, porque me lembrei dos cartões hoje ao passear pelo Instagram do arquivo da Família Real Britânica (@royalcollectiontrust), há um post com o cartão de Natal da Família Real em 1938, com uma pergunta: você já enviou cartões de Natal esse ano?

Confesso, me animei, porém, sei que não vai dar tempo de ir ao correio para reestabelecer a tradição iniciada por Cole, até porque, hoje em dia ninguém sabe o endereço de ninguém e a maioria se perde sem o auxílio do GPS. 

Por enquanto só tirei uma foto bem bonita com a Joana e a Mandinga, que enviarei aos amigos pelas redes, como nossa geração se acostumou a fazer. Mas ano que vem vou estar preparado, quero que meus amigos recebam algo além das faturas pelo correio, pelo menos no Natal.

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