Reforma urgente e para todos

Esses dias achei uma reportagem interessante que faz um resgate histórico, com críticas inclusive, dos membros da equipe econômica que participaram do processo de formulação do chamado “tripé macroeconômico” (câmbio flutuante, metas de inflação e responsabilidade fiscal), e até hoje é o sustentáculo da economia brasileira.

Vale ressaltar que desde o princípio já havia uma preocupação com os gastos crescentes, que poderiam desequilibrar o tripé. Além disso após 2011, cada vez mais a inflação se também de descontrolou e superou o teto da meta.

Resgato aqui texto que escrevi em 2013:

“O acúmulo da inflação de 2011 até 2013, de acordo com as previsões do índice, pode passar dos 15%, tal situação fica ainda mais grave com o achatamento do salário e o endividamento da classe média. A procrastinação de soluções mais efetivas para a economia brasileira vai custar caro ao Brasil num futuro muito próximo.

A desoneração tributária como política de incentivo ao consumo e, portanto de estímulo ao crescimento econômico se mostrou ineficiente em 2012. O governo federal não parece disposto a rever seu posicionamento, pois suas ações estão balizadas tendo como horizonte as eleições de 2014.

Mais: com as “bondades” do governo federal, os estados e municípios são ainda mais achatados, pois a carga tributária renunciada é parte da composição dos fundos de participação dos municípios e dos estados. Assim, a bola de neve fica cada vez maior, pois os investimentos necessários são reduzidos e as obrigações com folha salarial e vinculação de receitas.

O colapso econômico/fiscal parece ser inevitável num país que vê sua produção industrial despencar, que não investe em infraestrutura e logística e na contramão, assiste o crescimento da inflação.

As escolhas que o governo do PT faz são equivocadas, mas enquanto a cortina de fumaça dos memes tomateiros for a maior preocupação das redes sociais, não há horizonte de mudança estrutural, já que esse delírio febril que passamos causa altos índices de popularidade da presidente. Lembremos que a febre é um sintoma, talvez seja tarde demais quando percebermos que o país caiu doente.”

Notadamente o Brasil caiu doente após 2015, caiu na armadilha do excesso de gastos, a inflação se descontrolou e chegou e fechar acima dos dois dígitos em 2015. Após uma série de ajustes começou a dar sinais consistentes de recuperação em 2018, entretanto, vale um alerta à euforia dos últimos dias, que apreciou o Real e fez o BOVESPA quebrar a barreira dos 93.000 pontos:

O Brasil em janeiro de 1999 já sabia os problemas com os gastos, conforme o depoimento de Werlang, na reportagem da Folha e o problema continua, de acordo com o que observado no paper. Caso não os gastos não sejam controlados, o tripé continuará desequilibrado, a economia nacional poderá entrar em colapso, penalizando empregados e empregadores, que dependem da saúde financeira do país.

O maior gasto do Brasil é com previdência, cerca de 53%, serão mais de 760 bilhões de Reais para o exercício de 2019. Tal valor é três vezes maior do que se gasta com saúde, educação e segurança pública (cerca de 228 bilhões de Reais)! Por isso a Reforma da Previdência tem que ser aprovada, e mais: a Reforma tem que ser ampla atingindo todos os setores da sociedade. Nenhum brasileiro é mais especial do que outro brasileiro. NENHUM.

Ressalto, a Reforma da Previdência tem que atingir a todos: militares, Judiciário, Legislativo, Ministério Público e qualquer brasileiro que receba acima do teto do INSS. Vencimento integral acima do teto na aposentadoria é um escárnio à grande maioria da população, que recebe um salário mínimo. É preocupante setores do Governo se manifestarem, favoravelmente à existência de “casos especiais”.

Não podem haver exceções, essas são justamente as causadoras do desequilíbrio provocado pelo Estado Brasileiro, que através da Previdência aumenta as desigualdades, ao invés de diminuir o abismo.

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