Devaneios sobre o contexto econômico

Essa semana, economistas e gestores na terra das araucárias ligaram o sinal de alerta. Graças à notícia de que o Produto Interno Bruto do Paraná (PIB), referente ao primeiro trimestre de 2019, recuou 1,61%. Tal recuo se deu em todos os índices, contudo a agropecuária, grande carro-chefe da economia local, teve o pior resultado: -7,26%.

No cenário nacional, o clima também não é dos mais animadores, a projeção do crescimento do PIB brasileiro vem sistematicamente sendo reduzida, foram dezessete vezes consecutivas, a última de 0,93% para 0,87%.

A lenta retomada dos investimentos dos governos, problemas climáticos e as incertezas políticas no plano nacional, podem ser apontados como causadores do resultado ruim na província e da projeção medíocre para a nação.

Outro ponto a se destacar é como a indústria brasileira vem patinando, quando não retrocedendo, na última década. O cenário é ainda mais inquietante para a indústria ao observarmos a grande volatilidade do Real, que ainda assim se mantém depreciado, fato que complica o investimento e a modernização, diminuindo ainda mais a competitividade deste setor crucial para a economia.

Assim, o circulo vicioso só aumenta: a agricultura, locomotiva do PIB, exige subsídios para manter sua competitividade e ganha; a indústria, setor crucial para a geração de empregos no Brasil, exige subsídios e incentivos para sobreviver e ganha e; a queda da taxa SELIC de juros não faz a economia girar baseada no consumo, como alguns esperam.

Somam-se à receita mais algumas notas de desordem: os governos, num cenário pós-eleição, marcam passo para retomar investimentos e se perdem na articulação com o Poder Legislativo; o imponderável fator climático mostra sua face e castiga as lavouras; e década após década a mão-de-obra não foi qualificada, o desemprego aumenta e as famílias se endividam.

O Brasil se esforça para fazer tudo errado, por sorte nosso povo é trabalhador e resiliente. Mas não podemos nos dar ao luxo de repetir erros: a estadolatria tem que acabar, subsídios e incentivos não podem ser a regra, aliás, tiram nossa competitividade e rentabilidade, na indústria e no campo. Devemos abrir nossa economia de fato, boas iniciativas como abrir o mercado de gás, têm que se multiplicar. Barreiras comerciais precisam ser derrubadas, o protecionismo nunca funcionou. O investimento na educação deve ser voltado para aumentar a qualidade de aprendizado dos nossos estudantes, futuros trabalhadores e empresários, incentivando não só a profissionalização, mas também o empreendedorismo.

A lição de casa, com a austeridade fiscal, não pode ser esquecida. Nossa pobre e insuficiente infraestrutura exiege investimentos, para facilitar a vida da população e de quem produz e gera renda; e diminuir custeio, desperdícios e desvios. Urge aprimorar a articulação junto ao Poder Legislativo, para agilizar e aprovar as reformas que o Brasil precisa (Previdência, Tributária e Política). E, aprofundar e acelerar as políticas de combate à desigualdade, o Brasil nunca foi tão desigual.

Não se trata de ser inovador ou mudar tudo isso aí, o que a população espera e precisa, é que o Brasil faça o certo, e ponto.

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