A dança dos guarda-chuvas

Apesar do atraso de quase dois meses, o friozinho úmido, característico de Curitiba parece ter chegado para ficar. Junto com o clima, casacos, cachecóis e, até mesmo, luvas, antes aposentados pelo calor, retornam para o figurino cotidiano da terra do pinhão.

Uma peça, porém permanece unânime entre os que por aqui vivem: os guarda-chuvas. É parte do folclore curitibano que, ao sair de casa, temos que estar preparados para quaisquer tipos de clima, desde o desértico e sonolento pós-almoço até às tempestades de granizo dos fins de tarde. Até que os esquece, não está imune, é só começar a chover que vendedores de guarda-chuvas praticamente brotam do chão no Centro de Curitiba.

Por isso, desde a chegada do outono (pra quem não conhece Curitiba vale reafirmar, sim, o frio por aqui começa no outono), o frio insistente, úmido e quase obrigatório nos curtos dias que temos, nos obriga a andar pelas calçadas com o guarda-chuva aberto.

São guarda-chuvas para todos os gostos: com listras, quadriculados, monocolores, patrocinados, com desenhos de todos os tipos… Em suma, é uma enxurrada de guarda-chuvas dançando,  encaixando-se entre placas, lixeiras, ambulantes e postes, nas estreitas calçadas da cidade. Porém, o piso não é dos mais propícios para a dança: calçadas com lajotas soltas e petit-pavet, muitas vezes com suas peças também frouxas.

Ainda que sofra menos que as demais, como qualquer grande cidade brasileira, Curitiba também cresceu rápida e desordenadamente. Por isso padece, algumas vezes, com a falta de planejamento para a ocupação e o uso do seu solo.

Não é de hoje que pedestres sofrem com calçadas estreitas, soltas e irregulares, até por isso, vez ou outra, surge algum candidato com uma proposta mágica para resolver os problemas das centenas de milhares de pessoas que se deslocam a pé pela cidade.

Arrumar todas as calçadas, o reposicionar placas, lixeiras e postes, é um processo lento e muito caro. Não há como resolver esse problema em pouco tempo. Para tal, é necessário planejamento, preparo e responsabilidade. A constatação que faço no texto, não é uma crítica à atual ou anteriores gestões, é um alerta sobre a maneira que nós, a cidade, devemos lidar com este, e outros problemas.

Sempre digo que a cidade é das pessoas, e nada mais humano do que uma cidade que literalmente anda e ocupa seus espaços com pedestres. Para os pedestres, seria muito melhor não ter que dançar, com o guarda-chuva nas mãos, entre placas, lixeiras, ambulantes e postes, nas estreitas e irregulares.

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