Camélias brancas

Hoje 13 de maio, data a publicação da Lei Áurea, que foi assinada por Isabel, a Princesa Regente na ausência do pai, o Imperador Pedro II, em 1888. A data marca o encerramento das senzalas e o surgimento das favelas.

Diferentemente do que muitos aprenderam tradicionalmente nas escolas, o fim da escravidão no Brasil não foi uma dádiva da Família Imperial Brasileira, ou resultado única e exclusivamente das tensões políticas protagonizadas por abolicionistas.

Devemos lembrar que desde a Independência, o Brasil tanto na política quanto na economia brasileira, era fortemente influenciado pelo Império Britânico. Por lá, acontecera a Revolução Industrial, que aumentou a capacidade produtiva e que, consequentemente exigiu também ter mais gente com capacidade para consumir, sem renda ou condições mínimas, escravos não tinham esse poder. O Brasil era o último grande bastião escravagista.

Outro fator importante foi a solidariedade e resistência entre os próprios escravos, que associados à clubes abolicionistas, em praticamente todas as províncias, incentivavam revoltas, fugas, e patrocinando assim, uma abolição quase que a revelia do Estado.

Uma passagem famosa do período envolve o Quilombo do Leblon, os escravos que lá se refugiavam cultivavam e vendiam flores, especialmente camélias brancas. Logo a flor passou a ser associada à abolição. Plantar ou portar uma camélia branca tornou-se um ato político e simbólico.

A camélia, diziam, em sua fragilidade era como a liberdade ambicionada pelos escravos, exigia atenção especial, mas infelizmente essa atenção não aconteceu…

Estamos em 2020, e nossa liberdade ainda não é plena, devemos diariamente cultivá-la com carinho. Para isso, é importante consolidar em nossa nação uma verdadeira alma democrática. Só assim escaparemos de armadilhas populistas e autoritárias que podem aumentar ainda mais o sofrimento dos os descendentes daqueles que em 1888, relegados ao Deus dará, não receberam a mesma atenção dispensada às camélias brancas e anseiam até hoje pela verdadeira liberdade.

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