Bem resumidamente, foi isso

Lá pelo final de agosto/início de setembro de 1822, José Bonifácio, que presidia o Conselho de Ministros, enviou corpo diplomático em missão para informar a emancipação do Brasil enquanto colônia portuguesa. A independência já estava em curso…

Claro que a resposta de Lisboa não foi a mais simpática, ordenava o retorno imediato do Príncipe Regente, que estava em São Paulo para colocar panos quentes em alguns revoltosos. Bonifácio percebe que chegara a hora do derradeiro ato e enviou emissários, que encontraram Pedro no dia 7 de setembro de 1822. O Príncipe, que também era filho de Deus, não estava com o seu sistema digestivo em dia… enfim, o dia não era dos melhores.

Após ler as cartas (um tanto quanto categóricas) de Bonifácio e tomar pé da situação, ainda baleado por suas condições de saúde, por volta das 16:30 e “no alto da colina próxima do riacho do Ipiranga”, Pedro formaliza o que já era realidade: tira, e joga no chão, a fita azul e branca (cores constitucionais portuguesas) e solta o famoso “Independência ou morte”.

Bem resumidamente, foi isso.

Essa cena pouco tem a ver com o imaginário popular, geralmente associada ao famoso e pomposo quadro de Pedro Américo, o lugar era ermo, não tão às margens do Ipiranga e menos de 40 pessoas acompanhavam Pedro (a guarda de honra já havia sido dispensada).

O ato simbólico fez da situação brasileira algo sue generis na cena americana: enquanto na América espanhola os vice-reinados independentes tornaram-se 14 países. Instaurou-se no Brasil uma monarquia. Entende-se que esta opção acomodou as elites locais (educadas em Coimbra e acostumadas com a corte) e foi fator facilitador da unidade do grande território outrora controlado por Portugal.

198 anos depois, celebramos o 7 de setembro, que de fato foi um momento simbólico de ruptura. Permeada pela crise do colonialismo e do absolutismo, nossa Independência é parte do contexto que representa o fim do Antigo Regime. Uma nova (e estranha) noção de cidadania, que permanece até hoje, instalou-se: o processo político e as instituições são elitizadas e pouco representativas. Do período monárquico brasileiro (1822-1889), herdamos também boa parte do ideário de cultura e nação, construídas principalmente durante o Segundo Reinado.

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